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Pensar a cidade, com a sensibilidade de que a cidade é para as pessoas, independentemente da faixa etária ou das suas condições físicas.

Nada do que é bom para quem tem limitações físicas é mau para os considerados normais, a cidade sem barreiras arquitectónicas em harmonia com todos e a pensar nos que têm mais dificuldades de locomoção é ainda uma necessidade nos dias de hoje. Quantas vezes penso no caricato que é construir escadas e só depois se encarar a necessidade de construir uma rampa, não seria mais fácil em situações específicas construir apenas a rampa? É que a rampa todos conseguem subir!

Encarar a cidade como um espaço onde se cultiva a cidadania e onde dê gosto viver e conviver.

As grandes superfícies comerciais, contribuíram para a descaracterização da vida no espaço urbano, os espaços de convívio, as praças, os cinemas e as esplanadas no centro da cidade foram preteridos em função da oferta dos espaços em grandes superfícies comercias.

Num grande espaço de uma grande superfície comercial pode estar-se rodeado de muita gente e no entanto continuar a estar sozinho.

Se não cuidarmos da cidade e das nossas gentes, podemos continuar a andar nas ruas a cruzarmo-nos uns com os outros mas não teremos nenhum tipo de afectividade, nenhum tipo de partilha”.

Muita gente que apenas se cruza sem nenhum tipo de ligação sem nenhuma vontade ou interesse em conviver.

Ocorre-me que a velocidade com que é encarada a forma como vivemos, conduz à já tão falada desumanização e por vezes penso em situações que me afligem; dou um exemplo, uma viatura mal estacionada é motivo de atenções muito organizadas, rapidamente surge no pára-brisas um aviso de multa ou a viatura é mesmo rebocada.

Já em relação a tanta gente que está sozinha em casa e que está com problemas e a precisar de ajuda; quem quer saber? Que tipo de organização existe para ter conhecimento destas situações e dar-lhe o devido apoio, todos os investimentos que se façam nos apoios sociais contribuem para uma sociedade mais solidária, mais humanizada e consciente do seu papel.

Se não cuidarmos da cidade e das nossas gentes, podemos continuar a andar nas ruas a cruzarmo-nos uns com os outros mas não teremos nenhum tipo de afectividade, nenhum tipo de partilha.

A organização da cidade deve ser atractiva e essencialmente virada para o bem-estar das pessoas para uma qualidade de vida sempre melhor. O facto de em inúmeras situações prevalecer o uso do automóvel e deste invadir o espaço das pessoas não contribui em nada para uma melhor qualidade de vida das populações e se existe o rigor levado ao extremo em algumas zonas da cidade, por outro lado convive-se com uma autêntica apropriação do espaço das pessoas que são os passeios pelos automóveis.

Alguma coisa tem que mudar na atitude de todos em relação à vida na Cidade, se não o fizermos poderemos ser muitos mas tudo continuará na mesma.

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Uma resposta a A cidade, se não a cuidarmos ficará deserta

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