MENU
Share Button

Vivemos num Concelho onde, tal como acontece por todo o país, estamos confrontados com enormes dificuldades, deficiências e insuficiências no que se refere aos meios e cuidados de saúde.

Enuncio o que se passa na Unidade de Saúde Familiar do Laranjeiro:

– 20 000 Utentes não têm médico de família;

– Desde há 4 meses as consultas só podem ser marcadas no 1º dia útil de cada mês;

– Faltam consultas de clínica geral e também noutras áreas, onde se incluem as urgências;

– De acordo com o responsável do ACES de Almada/Seixal, Dr. Luís Amaro, em entrevista aos órgãos de informação, faltam 10 médicos de medicina geral nesta Unidade de Saúde Familiar.

Por todo o Concelho de Almada aumentam as dificuldades, não só para obter consultas como para exames complementares de diagnóstico e também para encontrar as respostas indispensáveis à garantia dos cuidados de saúde. O encerramento do Centro de Saúde da Trafaria constitui um outro exemplo da política levada a efeito pelo atual governo, dificultando e agravando a vida a milhares de pessoas com os custos de deslocação para a obtenção de consultas.

Os utentes de saúde têm utilizado várias formas de protesto e saberão encontrar no futuro as melhores respostas para contrariar políticas destruidoras das mais elementares condições de vida.

Diariamente os governantes afirmam que estão a ser tomadas as medidas necessárias para minimizar as consequências resultantes da política que têm implementado. Os acontecimentos dos últimos meses comprovam exatamente o contrário, ou seja, a redução e os cortes no orçamento da saúde e no desinvestimento no Serviço Nacional de Saúde apenas contribuíram para o agravamento das condições de vida e dos cuidados de saúde, não só nos serviços de urgência hospitalares mas também nos centros de saúde.

A morte de uma cidadã de 51 anos que esteve à espera, desde Julho de 2014, de medicação adequada à sua doença com Hepatite C, tal como acontece com muitas dezenas de cidadãos, ilustra a insensibilidade demonstrada pelos governantes em relação à vida humana. As afirmações quer do Primeiro-Ministro, Passos Coelho, quer do Ministro da Saúde, Paulo Macedo, nos últimos dias, são demonstrativas da hipocrisia e do desprezo que têm pelas portuguesas e pelos portugueses.

O caos que tem sido vivido no Hospital Garcia de Orta em Almada onde se verificaram algumas mortes, no último mês, por falta da assistência devida e dos largos períodos de espera a que não é alheio o facto de se terem demitido os chefes de equipa do Serviço de Urgências, é outro dos exemplos que não podemos deixar de salientar, tal como o elevado número de utentes sem médico de família no Concelho de Almada.

O bastonário da Ordem dos Médicos considerou há poucos dias que não é possível discutir um plano de catástrofe quando a catástrofe está a acontecer no sistema de saúde e defendeu que a atual epidemia de gripe era antecipável.

A falta de médicos, enfermeiros, outros profissionais de saúde e demais trabalhadores indispensáveis ao normal funcionamento dos hospitais e outros serviços de saúde, não pode deixar de exigir uma política diferente que dê resposta às necessidades de toda a população.

De acordo com um estudo realizado pela Ordem dos Enfermeiros, em 2014 pediram para emigrar 2082 profissionais o que equivale a uma média de 6 por dia, ao mesmo tempo que faltam 1779 enfermeiros na Rede de Cuidados Continuados Integrados no sul do país.

Enquanto assistimos à emigração de médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde por lhes ser negada a hipótese de exercerem a sua atividade em Portugal, agravam-se as dificuldades para muitos milhares de cidadãos, deixados à sua sorte por uma política em que os governantes do PSD e CDS colocam em primeiro lugar os interesses economicistas, desprezando completamente a vida e a dignidade das portuguesas e dos portugueses.

A defesa do Serviço Nacional de Saúde deve merecer a denúncia de todos os estratagemas e justificações inadequadas à indispensável necessidade de respostas concretas para que os utentes tenham confiança na garantia do direito à proteção da saúde e o dever de a defender e promover, tal como está consignado no Artº 64º. da Constituição da República Portuguesa.

Os profissionais de saúde, individualmente ou através das suas organizações representativas, têm vindo a denunciar a situação vivida na saúde, ao mesmo tempo que têm apresentado propostas que têm sido completamente ignoradas pelo Ministro da Saúde e demais governantes.

A conclusão a retirar é óbvia: com este governo e com a política que tem sido seguida, agravaram-se as condições de prestação dos serviços de saúde para as portuguesas e para os portugueses e apenas será possível encontrar soluções com outro governo e outra política.

                                                                                                  

Pedro Oliveira

Membro da Coordenadora Concelhia de Almada do Bloco de Esquerda. Membro da Assembleia das Freguesias de Laranjeiro e Feijó. Membro da Assembleia Municipal de Almada.

 

Artigos Relacionados

Uma resposta a A Saúde é um direito!

  1. A saude é um direito sim senhor ou pelo menos devia ,,,gostava de saber é o porque de a autarquia gastar milhares de Euros em Sol da Caparica etc ,etc ao inves de ajudar as populações abrindo postos medicos pelo menos para ajudar em especialiades que o estado tirou ao povo como a Estomatologia ,Psiquiatria e Oftalmologia nos bairros mais pobres do concelho é ver as pessoas desdentadas ,sem dinheiro para oculos e crianças sem apoio psicologico ,,,em Lisboa há varias freguesias com posto Medico ,em Almada não existe Porque??? Para mais um organismo Municipal ???Para os foguetes do 25 ??Para a ECALMA ???Etc,etc ter as farramentas e não as usar é deprimente !!!! Seja como for a saude devia ser um direito de todos os Portugueses ,ricos e pobres ,,,MAS SE OS GOVERNOS ps.psd,cds FORAM CORTANDO SERVIÇOS isso quer dizer que se fique a dizer mal dos outros ao INVES DE POR MÃO HÁ OBRA ????

Deixar uma resposta

« »