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Embora o metro de superfície que une as várias freguesias de Almada tenha os seus defeitos, já amplamente apontados, há um que se manifesta de forma cada vez mais visível: a forma como é conduzida a fiscalização.

A Metro Transportes do Sul (MTS), concessionária do metro de superfície, subcontrata a fiscalização à firma Serviços Operações e Vigilância (S.O.V.). Os agentes da S.O.V., classificada pela Associação Empresarial de Portugal em 9º lugar entre as empresas de segurança privada existentes no país, assumem as suas funções após uma curta formação que os certifica como agentes de fiscalização.

O problema começa quando excedem o âmbito da sua função.

Já tinha testemunhado os abusos perpetrados pelos agentes de fiscalização da MTS, mas só no princípio de Junho passado tive a oportunidade os capturar em vídeo. Fui testemunha de três agentes de fiscalização, que relembro serem seguranças privados, a perseguirem, rua abaixo, um concidadão nosso, na Ramalha, Cova da Piedade.

Quando os três repararam que eu estava a filmar, instalou-se primeiro o pânico e depois a raiva. Deixaram fugir o homem que perseguiam, um senhor já de idade avançada de ascendência africana, e focaram-se em mim. Dirigiram-me as mais variadas ameaças e injurias, agrediram-me na medida a que se atreveram, tentaram furtar-me o dispositivo em que filmei a sua má conduta. Quando chamei a polícia, contentaram-se então a dirigir-me todo o tipo de insultos até se porem em fuga numa outra composição que passou na estação.

Tenho de sublinhar que não se tratam de agentes da autoridade nem nada parecido. Os seus poderes limitam-se à fiscalização de títulos de transporte dentro das carruagens do metro de superfície e procederem à identificação de quem não possui um título válido para que possa ser passada uma coima. É-lhes proibido, pela Lei da Segurança Privada, deter quem seja ou restringir o exercício de que liberdades forem.

De amigos a conhecidos, de eleitos de freguesia a deputados municipais, à esquerda e à direita, todos sabemos o que se passa”.

De amigos a conhecidos, de eleitos de freguesia a deputados municipais, à esquerda e à direita, todos sabemos o que se passa. Com quem tenho partilhado o que se passou diz-me sempre o mesmo. Começa por “pois, eu também já vi disso” antes de me informarem que há agentes de fiscalização que exigem bilhete a quem está sentado na estação do metro, a rodearem raparigas menores e exigirem identificação com ameaças, a perseguir, agredir e a comportarem-se de forma prepotente e selvática os cidadãos. O único padrão discernível é a perseguição aos mais fracos e oprimidos, a quem menos se pode defender, quem está mais vulnerável. É uma agressão a vários níveis, não só física como também psicológica e social.

O foco desta situação tem de estar na opressão a que são sujeitos os nossos concidadãos. Falo dos menores, das minorias étnicas, de quem chega ao fim do ordenado com tanto mês ainda pela frente e que é assaltado por uma força mercenária a mando de uma empresa parte de uma Parceria Público-Privada.

Pagamos para que nos batam.

Faço o apelo a que todos participemos na fiscalização dos fiscais. Gravar em vídeo ou áudio, tirar fotos, não é crime, por mais que os mesmos invoquem “direitos de autor”. São funcionários a desempenhar uma função e o registo das suas actividades, especialmente as ilegais, não são só permitidas como têm de ser encorajadas. Se não quiserem fazer queixa – ou não poderem, no caso de agressões a outrem – partilhem o que capturaram com quem e onde puderem.

Eu todos os meses compro o passe e não me impediu de ser vítima.

Lembrem-se disso.

 

Luis Bernardino

Núcleo do BE de Almada

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5 Respostas a Algo está mal em Almada

  1. Se pagassem o bilhetinho já nada disto acontecia.

  2. Conversa típica de “bloqueiro”, ou “bloquista”…………

    Com que então três homens não conseguiram capturar um senhor de idade avançada, se calhar era o Fernando Mamede ou o Carlos Lopes!

    Depois, onde está o vídeo, acho que todos nós gostaríamos de ver essa suposta gravação onde é injuriado, onde lhe fazem a “vida negra”.

    Se conhece tanta gente “que já vou disto” porque não apresenta os seus testemunhos?

    Enfim, mais uma conversa de encher balões, mais do mesmo………..

    O que vale é que este partidozeco está a dar os seus últimos suspiros….

  3. Grande tanga….se fosse assim mesmo tinhas ficado com o telemóvel e os dentes?????
    Eles devem mesmo ter tido medo de ti….
    Mostra o vídeo do TEU concidadão a ser agredido e perseguido, gostava de ver.
    Eu é que sou vitima das tuas mentiras.

  4. Não podia estar mais de acordo com o que foi escrito aqui ,Subscrevo na integra e fico mais aliviado por ver alguem se preocupar com esta pouca vergona e autoritarismo ridiculo que o concelho nunca assistiu e jamais precisa de ver .
    So quem não anda no metro pode fazer comentarios ridiculos de que se tive-se o bilhete nada acontecia ,pois se pensa assim tá muito engando ,os rufias que a empresa SOV de quem eu fiz parte há mais de 20 anos atras como funcionario não conseguem distinguir nem ter qualquer tolerançia com os passageiros ,sejam eles idosos,jovens,QUALQUER UM ,mesmo que o bilhete esteja valido esses desordeiros com cartão do MAI arranjam problemas ,isto já nem falando que se metem com passageiras com bocas de dar vomitos e fazem comentarios racistas ,tem de haver alguem neste concelho que denounce esta pouca vergonha …

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