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Deixarei de estar vinculada a uma organização que é manipulada por pessoas que em nada se enquadram nos princípios gerais do partido agora designado por PESSOAS ANIMAIS NATUREZA, e ainda que publicamente deem mostras do contrário este não é PAN que ajudei a constituir e a construir.

Hoje (18 de fevereiro) apresento a minha desfiliação do Partido pelos Animais e pela Natureza, agora designado Pessoas Animais Natureza (PAN)!

Para mim dá-se por findado o meu envolvimento naquele que em 2009 começou por ser um movimento político, chamado PARTIDO PELOS ANIMAIS (PPA), e que durante 7 meses  recolheu mais de 9.500 assinaturas para a sua constituição, estruturando-se basilarmente num grupo de pessoas que partilhavam à data de então os mesmos princípios, os mesmos valores, e os mesmos objectivos para uma causa em comum, a causa Animal.

O surgimento deste Movimento, que mais tarde passou a designar-se PARTIDO PELOS ANIMAIS E PELA NATUREZA (PAN), veio alertar muitas consciências para os problemas existentes na esfera animal e na ambiental, que pela deposição de esperança numa fonte alternativa aos movimentos já criados evidenciou o real problema existente nestas áreas. Éramos porém uma equipa bastante pequena sem maturidade política, sem os meios logísticos, nem os recursos financeiros para dar resposta aos pedidos de ajuda que surgiram de forma abundante, mas paralelamente a toda esta conjuntura pouco facilitadora éramos também uma equipa cheia de boa vontade, empenho, dedicação, cumplicidade e sobretudo com paixão pelas causas. Nesta pequena equipa foram diversos os elementos que sacrificaram a sua carreira profissional e financeira, a sua vida pessoal e social com vista ao desenvolvimento e à expansão deste movimento, fruto do nosso envolvimento e comprometimento.

Após as Eleições Legislativas e na sequência da obtenção da subvenção Estatal que o PAN passou a beneficiar, abriu-se um novo paradigma interno que desencadeiu algumas fraturas internas no seio do partido. Esta situação agravou-se com a entrada de alguns militantes que traziam na sua pasta contributiva uma agenda pessoal escondida. Assim, gradualmente a estrutura interna foi sofrendo as suas alterações, não apenas no seu crescimento mas na óptica da estratégia e da visão partidária.

Aquele que começou por primar pela prática da ética e da transparência, rapidamente colide os seus princípios fundamentais rumo à sua dissipação e degradação, convertendo-se numa estrutura partidária que hoje se reconhece como um dos partidos com a maior inversão de valores jamais vista na classe politica. Nunca em outros partidos, até de maior dimensão, se ouviu falar de tantas irregularidades internas, tantos atropelos estatutários, tantas perseguições com tentativa de expulsão a filiados – que enfrentaram processos disciplinares com pedidos de expulsão, imagine-se, pela sua contestação ao desrespeito para com o eleitorado, e pela exigência da reposição daquilo que estava a ser perdido e desvirtuado. 

O PAN Almada que coordenei desde 2010, foi pioneiro em diversas iniciativas locais, mas a partir de 2012 estas não mereceram o acompanhamento nem o reconhecimento do partido ao nível nacional. Sendo esta concelhia antecipatória e emancipadora, até certo nível face à estrutura nacional, sempre se caracterizou por ser  empenhada, dedicada, perseverante, trabalhadora, coesa e procurou garantir de forma inabalável a premissa de garantir o cumprimento que todas as promessas partidárias efectuadas ao eleitorado. 

O PAN actual nada mais é do que um manto de retalhos constituído nos seus órgãos de direcção por elementos renegados de outros partidos, ou que nunca tiveram oportunidade de integrar um, e encontram aqui a sua tábua de salvação que lhes confere as oportunidades que não conseguem encontrar fora dele. 

Na minha perspectiva um partido é constituído por pessoas, pois são estas que criam a estrutura partidária pelas suas convicções e pelos seus valores, e este existe para servir, não para que se sirvam dele. É totalmente desajustado que os dirigentes partidários assumam na teoria as premissas das suas Cartas de Princípios mas não tenham a intenção de se regerem pelas mesmas. Lamentavelmente agora o PAN também é um desses. 

Qualquer partido existe para servir as causas a que se propõe, dando seguimento à vontade de parte da nação que confiou nele para os representar, e enquanto se continuarem a defraudar as expectativas criadas no eleitorado não há moral nem partido que nos valha, pois a confiança conquista-se não se impõe. 

Este é para mim um dos dias mais pesarosos da minha vida em virtude da decisão que tomei, mas paradoxalmente fez-me renascer permitindo-me finalmente sentir a liberdade que há anos me foi retirada. Deixo para trás aquele que foi talvez um dos maiores projectos da minha vida mas simultaneamente a maior toxicidade com que lidei durante a mesma. Chega ao fim o meu ciclo participativo de quase 6 anos, num projecto que julguei vir a fazer a diferença, precisamente por acreditar que seria diferente.

 Na sequência da minha desfiliação do PAN, gostaria de deixar a garantia que será dado seguimento ao trabalho até aqui realizado na Concelhia de Almada pelos membros que se mantêm na mesma (PAN Almada), pois esta estrutura está solidamente constituída por um grupo de pessoas motivadas.

Obrigada a todos pelo que me ensinaram e pelos momentos bons que partilhámos, aos meus companheiros, colegas e sobretudo amigos que estiveram ao meu lado pelas causas de forma exemplar e inquestionável, e que foram também eles a minha fonte de motivação para o prolongamento da minha continuidade no partido até ao presente!

 

Célia Feijão Filiada n.º 12 do PAN

Ex-Presidente do Conselho Local de Almada do PAN; Ex-Secretária Geral do PAN; Ex-Comissária Política Nacional do PAN; Ex-Presidente da Mesa do Congresso do PAN; Ex-Coordenadora Geral de Núcleos do Sul do PAN; Ex-Membro do Conselho Nacional do PAN

 

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