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Agosto já lá vai e a mim só me apetece dizer: até que enfim! Não que tenha alguma coisa contra o mês em particular – porque não tenho, de todo – mas porque é durante aquele que ocorrem, um pouco por toda a parte, alguns dos espectáculos e eventos mais sórdidos de que a imaginação humana é capaz de criar, muitos dos quais a envolverem animais. É justamente sobre esses que aqui se escreve, sendo que são muitos, infelizmente, os exemplos que podem ser dados.

Entre 1 e 31 de Agosto, em Portugal, houve tempo para anões forcados em Vinhais, chegas de bois em Montalegre, touros à corda nos Açores e até touros de fogo em Coruche – uma importação espanhola que mostra que até para se fazer o mal pouco se inova – e isto para já não falar das habituais, mas nem por isso menos criticáveis, touradas e largadas, as quais tiveram lugar em várias localidades do país.

Num único mês foram vários os animais torturados, explorados, ridicularizados, mortos e tudo em nome da diversão humana. É claro que, para alguns, haverá sempre a justificação de que aqueles o foram em nome de uma coisa maior, a qual chamam ora de tradição ora de cultura. Qualquer que seja o nome que lhe queiram dar tal não apaga o que realmente aconteceu nesses e noutros espectáculos: animais que, sendo privados da sua liberdade, serviram por umas poucas horas  de objecto à diversão humana.

De resto, parece existir uma relação directa entre a existência desses espectáculos e eventos e o facto de Agosto ser o mês escolhido pela generalidade das pessoas para gozar férias, férias essas que, quiçá pelo sabor a praia e a bailaricos, são particularmente dadas aos excessos e à folia desmedida. Quando essa folia envolve animais, fica difícil não concluir que estamos cada vez mais estúpidos e brutos. E estamos não apenas pela tortura que cabe em certos espectáculos e eventos mas também, e particularmente, com o próprio estilo de diversão (veja-se o que acontece na vizinha Espanha, nas festas de San Fermin, em que todos os anos se registam vários feridos e não raras vezes morrem pessoas – já para não falar dos animais). Um estilo em que parece valer tudo desde que nada dos mal nos aconteça. A nós e aos nossos. No fundo, é como se o calor do Verão justificasse a perda da racionalidade e de lucidez; como se o espírito veraneante e umas quantas risadas justificassem todas as acções, até mesmo as mais ignóbeis.

O modo como tratamos os animais naquele tipo de eventos e espectáculos é tanto mais preocupante se tivermos em linha de conta o facto do país e das principais cidades estarem a gozar, finalmente, de maior destaque (recebendo vários prémios internacionalmente) nos canais de divulgação turística à escala global, sendo que para os que chegam de fora – que não os emigrantes – a imagem que passa é a da folia brejeira. Não digo que não hajam turistas que não gostem de assistir a tais espectáculos, mas atrevo-me a dizer que mesmo esses são uma minoria que só o fazem num contexto de férias e porque estão longe de casa, privando com uma realidade que não é – darão graças – a sua.

Sim, bem vistas as coisas Agosto não tem culpa nenhuma. Ele é apenas mais uma vítima do pior que a imaginação humana consegue fazer. Apenas mais uma vítima a juntar aos muitos animais que servem de marionetas ao entretenimento humano.

 

André Nunes

Vice-presidente do Conselho Local de Almada do Partido pelos Animais e pela Natureza

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