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Depois de uma noite de emoções e de todos os mandatos terem sido definitivamente atribuídos e distribuídos pelas forças políticas que se apresentaram ao eleitorado, é tempo de tecer algumas considerações para se apurarem factos e responsabilidades.

Desde logo e assumidamente derrotada, a Aliança Portugal deve retirar serenamente ilações pela não-confiança da maioria dos eleitores e reflectir sobre o futuro, analisando os prós e contras que levaram à estratégia que culminou com a coligação em segundo lugar atrás do Partido Socialista.

Tendo em conta que os diversos órgãos dos dois partidos, PSD e CDS-PP, irão reunir em breve para a discussão dos resultados, não me parece sensato que faça aqui e já, uma análise mais profunda ou se especule sobre os possíveis cenários que os mesmos partidos têm pela frente. Não obstante ainda, em minha opinião, há certas discussões que não devem ser tidas na praça pública, mas sim no seio das estruturas partidárias.

Em relação à Aliança Portugal, não vale a pena escamotear nem disfarçar a derrota de domingo, não se colocando em causa o empenho dos cabeças de lista dos dois partidos Paulo Rangel e Nuno Melo, respetivamente, que tudo deram para que a mensagem tivesse chegado ao eleitorado.

De qualquer forma, vamos a factos: sem dúvida que o facto dos dois partidos suportarem um governo que gere há três anos um país sobre a tutela da Troika, onde os cortes nas pensões, a subida do IVA, o aumento de diversos impostos entre outros, foram uma constante durante os três últimos anos e onde os portugueses acabaram por ser uns heróis no meio de tanta austeridade, os mesmos partidos suportaram também uma factura pesadíssima perante um eleitorado desconfortado e que manifestou o seu descontentamento usando o voto como arma de arremesso e manifestação de desagrado. Todavia, alguns vaticinavam uma hecatombe muito maior por parte da coligação. 

Tendo em conta o fogo cruzado e permanente sobre o governo e sobre os partidos que o suportam, era esperado que o Partido Socialista conseguisse uma distância considerável e confortável conseguindo canalizar o voto de mudança que o mesmo tanto ambicionava. 

Na realidade assim não foi. Não foi, pois o PS tem manifestamente uma liderança frouxa, sem chama e desconcertante, manifestando uma constante ausência de ideias e propostas que pudesse dar confiança à maioria dos portugueses. 

A tentativa do PS e não só, de confundir os portugueses misturando eleições europeias de cariz especifico com questões de governabilidade e legitimidade interna e nacional, marca bem o tom e a postura desesperada do Partido Socialista em confundir os portugueses tentando ganhar na secretaria o que não consegue junto dos eleitores, tentando disfarçar ainda, a falta de carisma do seu líder que embora aparentemente tenha o aparelho do seu lado, vê os seus opositores internos ganharem terreno e com certeza, proximamente tentarem explorar internamente e na praça pública a magra e agridoce vitória de domingo passado.

A tentativa do PS e não só, de confundir os portugueses misturando eleições europeias de cariz especifico com questões de governabilidade e legitimidade interna e nacional, marca bem o tom e a postura desesperada do Partido Socialista (…)”

Já em relação à CDU, vulgo partido comunista, que se disfarçou, mais uma vez, (aliás, não foi o único, o PS também foi por esse caminho) habilmente de azul tentando fazer esquecer o vermelho e que proferem uma ideologia totalitária e comunista, obteve uma vitória inequívoca, vendo subir o seu eleitorado comparativamente às eleições europeias de 2009. 

A CDU subiu e conseguiu eleger três deputados tendo para isso, muito contribuído a abstenção record que beneficia sempre os partidos que abarcam um eleitorado manifestamente leal e fiel às suas convicções. Apresenta esta semana um moção de censura ao Governo. Mais do mesmo. Um partido de protesto, anti-europeu e fervoroso adepto da constituição de um ultra bloco a leste ao estilo da cortina de ferro, mas que na realidade, move-se no mesmo meio de interesses daqueles que muito critica. 

No espectro totalmente diferente, temos a política espectáculo, mas que pode ficar como um aviso à tradicional classe política instalada de que o voto é mesmo uma arma, bem mais certeira que qualquer arruaça ou manifestação espontânea ou greve oportunista.

Marinho e Pinto, ex-bastonário da Ordem dos Advogados, facto que também ajudou na conquista inesperada de tantos votos, consegue, estrondosamente, eleger-se a si próprio e ao segundo da lista do MPT.

Algumas interrogações acrescem a esta eleição: representará Marinho e Pinto a voz da contestação do protesto e dos descontentes? Terá tido Marinho e Pinto exposição mediática permanente em desfavorecimento das restantes forças políticas? Não tem andado Marinho e Pinto todo este tempo a pugnar contra os partidos “barrigas de aluguer”? Cumprirá o mandato de eurodeputado até ao fim ou defraudará as expectativas do seu eleitorado e para o ano será candidato a Primeiro-ministro nas legislativas? 

Ficam aqui as questões não pondo em causa a legitimidade democrática da sua eleição e muito menos a sua idoneidade política e pessoal.

O Bloco de Esquerda esfumou, e tendo em conta a representatividade das forças na Assembleia Municipal de Almada, nesta eleições europeias e ao contrário das autárquicas de 2009, o PAN não existiu.

Não posso terminar sem deixar uma palavra de desagrado e preocupação em relação à adesão dos portugueses às urnas. Uma questão que todos devemos reflectir tendo em conta a preocupante consequência que poderá ter de futuro na saúde e vitalidade da nossa democracia.

Acresce relembrar que, felizmente, e salvo a excepção do partido comunista, as esquerdas e direitas radicais não tiveram expressão nas escolhas do eleitorado.

 

António Pedro Maco, Deputado Municipal e Presidente do CDS-PP Almada 

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