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Na passada terça-feira, 2 de abril, os trabalhadores dos TST estiveram toda a manhã reunidos em plenário junto à sede da Autoridade das Condições do Trabalho (ACT) de Almada. Nesse dia os autocarros não passaram, 90 por cento dos motoristas fizeram greve.

Bem sabemos que quando não há transportes, a nossa vida complica. Passamos mais tempo à espera, chegamos atrasados ao trabalho, temos de dar voltas maiores para chegar ao mesmo sítio e usar meios de transporte que, normalmente, não utilizamos. A nossa solidariedade é essencial. E esse é um dos motivos pelos quais é tão importante saber as razões dos trabalhadores. Por que(m) fazem greve os trabalhadores dos TST?

1. Por eles e pelas suas famílias: Nos últimos anos o salário de um motorista dos TST encolheu cerca de 20 a 30 por cento. Isto significa que, em alguns casos, o mesmo trabalhador leva para casa menos 200 ou 300 euros do que antes. Como se isso não bastasse, a Antrop (Grupo que detém os TST) comunicou no final do mês de fevereiro que passaria a aplicar na empresa o chamado “tempo de disponibilidade”. O que é isto? Uma forma de aumentar o número de horas em que os trabalhadores têm de estar completamente disponíveis para a empresa, seja de noite ou de dia, mas sem pagar horas extraordinárias. A administração quer que o período normal de trabalho possa chegar a 12 horas por dia, quer aplicar o banco de horas, os horários concentrados e o trabalho intermitente, e pretende ainda reduzir o período de trabalho noturno em três horas (quando os trabalhadores recebem mais). Este pacote de medidas terá efeitos violentos sobre os direitos e os salários destes trabalhadores.

A obsessão com a redução dos salários e do número de trabalhadores não se traduz nos preços dos bilhetes: nós pagamos mais, mas há menos carreiras e os trabalhadores recebem menos salário”.

2. Pelos que utilizam os transportes públicos: ao lutar pelos seus direitos, os trabalhadores dos TST estão também a lutar por um serviço de qualidade com profissionais justamente reconhecidos e remunerados. As pessoas que têm a responsabilidade de nos levar a casa, à escola ou ao trabalho e de garantir que lá chegamos sãos e salvos, não podem trabalhar em constante ameaça e precariedade laboral, não podem ser obrigados a trabalhar 60 ou mais horas por semana nem a fazer jornadas de trabalho longuíssimas. É a nossa segurança que é posta em risco, assim como a qualidade do serviço. A obsessão com a redução dos salários e do número de trabalhadores não se traduz nos preços dos bilhetes: nós pagamos mais, mas há menos carreiras e os trabalhadores recebem menos salário. Quem lucra? A empresa.

3. Por todos nós: os cortes nos salários destes trabalhadores fazem parte do processo de empobrecimento que todos estamos a sofrer às mãos de um Governo submisso aos mercados financeiros. De cada vez que um trabalhador luta pelos seus direitos, luta por todos nós, luta pelo futuro.

Por estas três razões, da próxima vez que os trabalhadores fizerem greve e o autocarro não passar, mesmo que isso nos cause algum inconveniente imediato, talvez possamos perguntar-nos: greve por quem?

 

Joana Mortágua
Membro da Coordenadora Concelhia do Bloco de Esquerda de Almada

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2 Respostas a Greve por quem?

  1. ” a Antrop (Grupo que detém os TST) ”

    Antrop – Associação Nacional de Transportadores Rodoviarios de Pesados de Passageiros
    São uma associação, nada a ver com terem empresas, apenas as defendem.

    Os TST são propriedade da ARRIVA.

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