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Jerónimo de Sousa relembra que o PCP viabilizou o Governo PS mas não abdica do seu próprio programa político

Jerónimo alerta Governo PS sobre Orçamento de Estado 2017

5 Setembro, 2016 • Humberto Lameiras • Destaque, Política, Uncategorized

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Jerónimo de Sousa diz que Portugal vive “uma situação política bem diferente” depois do PSD e CDS terem saído do governo. Com o PS a governar o País poderá seguir um caminho novo, mas alerta que o PCP não vai perder os seus ideais e lutas de vista.

A um ano das próximas autárquicas, o PCP já começou a delinear a estratégia eleitoral para construir um resultado que “confirme a CDU como a grande e principal força de esquerda no Poder Local”, afirmava Jerónimo de Sousa no encerramento da Festa do Avante. Mas até lá, “temos muito trabalho”, alertava o secretário-geral dos comunistas num discurso onde responsabilizou o anterior governo PSD/CDS pela “violenta ofensiva” aos “direitos, rendimentos e condições de vida” dos trabalhadores, criticou as sanções impostas pela União Europeia e deixou avisos ao governo socialista.

Na Quinta da Atalaia (Seixal), num discurso de 12 páginas, durante pouco mais de 40 minutos a uma temperatura a roçar os 40 graus, Jerónimo de Sousa encerrou a 40.ª edição da Festa do Avante; com a camisa encharcada em suor, começou com uma expressão providencial: “Nem o calor nos verga”. Para o líder dos comunistas, o afastamento do PSD e do CDS do governo trouxe uma “nova fase da vida política nacional e, com ela, melhores condições para continuar a luta em defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País”. Mas nem tudo são rosas.

A juventude comunista mantém-se como uma das forças da Festa do Avante e mobilizadora do programa do partido

A juventude comunista mantém-se como uma das forças da Festa do Avante e mobilizadora do programa do partido

Para Jerónimo de Sousa, “existe agora um esforço hercúleo de recuperação” que implica “uma política ajustada a essa árdua e difícil tarefa”. Uma mensagem direta ao PS que acusa de ter uma “assumida atitude de não romper com os constrangimentos externos – sejam as imposições da União Europeia, a submissão ao Euro ou a renegociação da dívida – seja a não rutura com os interesses do capital monopolista, são um grave bloqueio à resposta aos problemas do País. Mas também uma forma de favorecer as forças que querem impor o regresso ao passado e continuar a levar o País pelo caminho da crise e ao declínio”.

Os comunistas exigem que o atual Governo bata o pé contra o “pérfido plano” de sanções que a União Económica quer impor fazendo “pressão e chantagem sobre o Orçamento de Estado 2017 para tentar esmagar a esperança aberta de que é possível sermos donos dos nossos destinos, decidir de forma soberana do progresso social do nosso povo e do desenvolvimento do nosso País”.

É que apesar do PCP ter viabilizado o Governo de António Costa, do palco da Atalaia veio o aviso de que a decisão que a bancada comunista tomar sobre o Orçamento “será determinada sempre pelo seu conteúdo”.

Diz Jerónimo que os comunistas não vão abrir mão da “luta contra a precariedade e todas as formas de exploração seja no sector público, ou sector privado”. Também não aceitam a “revogação das normas gravosas da legislação laboral”, e vão estar empenhados na “defesa e valorização da contratação coletiva”. Exigem ainda que o Governo PS decida o “descongelamento das carreiras na Administração Pública” e o “aumento do salário mínimo nacional para 600 euros a partir do próximo ano”. Já quanto ao aumento das pensões, o PCP exige que sejam aumentadas “num mínimo não inferior a 10 euros por mês”.

Perante os muitos que estiveram no comício da Festa do Avante, Jerónimo de Sousa afirmou as exigências do PCP de matérias que quer que o PS integre no Orçamento de Estado 2017, entre elas a subida do salário mínimo para 600 euros

Perante os muitos que estiveram no comício da Festa do Avante, Jerónimo de Sousa afirmou as exigências do PCP de matérias que quer que o PS integre no Orçamento de Estado 2017, entre elas a subida do salário mínimo para 600 euros

A requalificação do Sistema Nacional de Saúde com o “aumento do número de médicos, enfermeiros e assistentes operacionais”, para além da “redução e eliminação das taxas moderadoras” é outra das exigências do pacote comunista que inclui ainda alterações ao nível da Educação, mais e melhor Segurança Social, mais apoio aos desempregados, medidas contra as injustiças no sistema fiscal, reforço do investimento público orientado para o crescimento e emprego, para além de garantir acesso ao crédito e apoios públicos às micro, pequenas e médias empresas.

“Podem contar com o PCP, dentro e fora da Assembleia da República, (…) continuaremos a bater-nos por objetivos que consideramos necessários e indispensáveis para o País, afirmava Jerónimo de Sousa frente à multidão que enchia o recinto frente ao palco 25 de Abril.

 

Congresso de Dezembro irá reafirmar identidade do PCP

Tudo indica que Jerónimo de Sousa será reeleito secretário-geral do PCP no Congresso de dezembro

Tudo indica que Jerónimo de Sousa será reeleito secretário-geral do PCP no Congresso de dezembro

Antes das eleições autárquicas de 2017 o PCP vai realizar a 2, 3 e 4 de dezembro o seu XX Congresso. Será em Almada e vai reunir os comunistas em torno do lema “PCP – com os trabalhadores e o povo, democracia e socialismo”.

Será um congresso que “afirmará a identidade” do PCP e “desbravar os caminhos de um Portugal com futuro e que aponta o horizonte de uma sociedade nova”, anunciou Jerónimo de Sousa na Atalaia.

Tudo indica que será um congresso que irá reconduzir Jerónimo de Sousa como secretário-geral do partido, considerando que no próximo ano os partidos vão apostar todas as forças na campanha das autárquicas.    

 

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