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Jovens ganham experiência de vida a bordo do Creoula

4 Junho, 2014 • Humberto Lameiras • Destaque, Lazer

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A Aporvela está a promover viagens para jovens, e não só, a bordo do Creoula. Um veleiro com 77 anos que cruzou os oceanos na pesca do bacalhau e está desde 1987 ao serviço da Marinha de Guerra Portuguesa como Navio de Treino de Mar. Quem já fez a viagem fala em experiência única de vida.

É como um campo de férias, mas a bordo de um veleiro histórico. No Creoula, os jovens embarcam com a mentalidade de que o seu mundo social morre se perderem o acesso ao telemóvel e à internet, mas desembarcam a saber “comunicar frente-a-frente. Adquirem novas regras e disciplina”, afirma o seu comandante, Cruz Martins.

“Este foi o maior investimento que os meus pais fizeram em mim”, assume Marta Martins, 19 anos, aluna do curso de veterinária, confirmando as palavras do comandante. Com ela, Luís Fialho, de 18 anos, no 12.º ano, e Joana Ribeiro, 25 anos, estudantes de medicina, que reconhece que viajar no Creoula lhe deu “valores para a vida”, como “o sentido de responsabilidade e aprender a trabalhar em equipa”.

Os três jovens têm em comum uma viagem no navio Creoula, no ano passado, promovida pela Aporvela, Associação Portuguesa de Treino de Vela, através de um acordo com a Marinha de Guerra Portuguesa.

“Fazemos todas as tarefas no navio. Ficamos tão empenhados a navegar que esquecemos que existem telemóveis ou televisão”, diz Luís Fialho que admite a possibilidade de fazer carreira na Marinha de Guerra Portuguesa. “Aprendemos a ultrapassar situações limite e criamos amizades que duram uma vida”.

O que estes jovens aprenderam vão agora poder ensinar, como monitores da Aporvela, aos próximos “marinheiros” do Creoula. Um trabalho com a permanente supervisão dos 40 militares da Marinha, que constituem a guarnição do veleiro.

“A bordo os jovens fazem parte da guarnição e desempenham todas as atividades”, comandante Cruz Martins

Comandante Cruz Martins_Creoula

A próxima viagem está já marcada para 21 de junho, com saída da Base Naval do Alfeite. As inscrições estão abertas e podem escolher rotas com passagem por portos portugueses ou franceses e espanhóis, consoante o número de dias que quiserem navegar. Os preços variam entre os 150 euros e os 400 euros.

Cada viagem está programada para cerca de 50 “marinheiros” civis, onde a idade limite é a partir dos 14 anos. “Este programa está muito direcionado para jovens, mas não só”, diz Rui Santos, responsável da Aporvela. Contudo, o grande objetivo é “promover a ligação dos jovens ao mar”. E “muitos ficam a pensar em seguir a profissão na marinha”, seja a mercante ou mesmo na Marinha de Guerra Portuguesa.

Esta iniciativa da Aporvela leva cerca de 300 jovens a navegar no Creoula, mas este veleiro que desde 1987 está ao serviço da Marinha de Guerra Portuguesa como Navio de Treino de Mar, “já embarcou mais de 16 mil jovens”, diz o comandante Cruz Martins. Missões em que os jovens “aprendem que ninguém mandam vindo do nada. Entram com uma postura quase individualista e saem com um sentimento de união”.

E também o país ganha com a aprendizagem destes jovens. “A bordo não são passageiros. São parte da guarnição e desempenham todas as atividades necessárias para navegar”. E, para além dos saberes técnicos, “adquirem conhecimentos sobre todas as vertentes do mar na sua importância, económica, social, turística e mesmo profissional”, assegura o comandante.

 

O veleiro que só conhece a bandeira nacional

CreoulaConstruído nos estaleiros da CUF, o Creoula ficou pronto para navegar em apenas 62 dias úteis. Com obra e projeto totalmente português, teve início a 3 de fevereiro de 1937 e foi lançado à água a 10 de maio do mesmo ano. Sempre içando a Bandeira de Portugal, navegou como navio bacalhoeiro no mar da Terra e Gronelândia.

Passados 77 anos, o Creoula é o último sobrevivente das dezenas de veleiros da chamada Frota Branca, dedicada à pesca do bacalhau. “Uns arderam, outros naufragaram e outros foram abatidos”, conta o comandante Cruz Martins.

Em 1974 fez a última campanha na pesca do bacalhau e, em 1987, o Creoula foi integrado na Marinha de Guerra Portuguesa como Navio de Treino de Mar. “Que tenhamos conhecimento, é o único veleiro da sua classe que desempenha esta função dedicada a civis, operado pela Marinha”, comenta Cruz Martins que entrou neste navio há quatro anos como imediato e é seu comandante há dois anos.

Depois de ter cruzado tanto mar como se tivesse dado 150 voltas ao mundo, o Creoula ainda mantém muito da sua construção original. Para além de ser o veleiro com a maior vela de mezena, ainda exibe aspetos como os pequenos barcos onde muitos pescadores se arriscaram, sozinhos no mar, na pesca do bacalhau. Até a própria câmara dos oficiais, incluindo a mesa e cadeiras, ainda datam de 1937, como o candeeiro a petróleo que iluminava a pequena sala à qual só se tem acesso descendo uma escadaria que desafia o equilíbrio.

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