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joaquim Barbosa

Misericórdia de Almada contesta medidas assistencialistas do Governo

28 Abril, 2014 • Humberto Lameiras • Destaque, Sociedade

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O número de famílias que, diariamente, depende das cantinas sociais para se alimentar está a aumentar, o que implica mais protocolos firmados entre as instituições de solidariedade com a Segurança Social e mais custos para este organismo do Estado.

Um sistema que começa a ser visto como uma espiral de assistencialismo que não conduz quem está em grave carência financeira à reinserção no mercado de trabalho, nem na sociedade. Isto “roça o assistencialismo, e o resultado é as pessoas deixarem de acreditar nestas medidas”, comenta o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Almada (SCMA).

Joaquim Barbosa afirma ao Cidade Informação Regional que a SCMA teve de “aumentar o número de protocolos com a Segurança Social”, para dar resposta às mais famílias que procuram a sua cantina social. “A emergência social começou no ano passado”, diz. Neste momento, “servimos 165 refeições diariamente”.

Para o provedor esta medida alimentar pode ter boas intenções, mas tem muitas dúvidas que a mesma funcione, quer para ajudar as pessoas, quer para as próprias contas do Estado. “É importante que as famílias muito carenciadas tenham alimentação garantida, mas também têm de ser criados programas de integração social”.

Através do protocolo com a Segurança Social, a SCMA “recebe 2,5 euros por refeição”. Tendo como referência que o agregado das famílias que procuram a cantina social é de quatro pessoas, e cada pessoa consome duas refeições por dia, o Estado tem uma conta de 600 euros por mês com cada família.

Diz Joaquim Barbosa que se cada uma destas famílias tivesse o apoio financeiro máximo da Segurança Social, “só receberia 340 euros por mês”. Um valor baixo, reconhece, mas que em conjunto com outros apoios, como por exemplo para a compra de gás, “permitiria às pessoas fazerem a suas refeições em casa”. Mas o que está a acontecer “é um maior investimento em medidas assistencialistas e um desinvestimento nas soluções que levem à autonomia destas famílias”, acrescenta.

Atualmente, a nível nacional, as cantinas sociais servem 49.200 refeições por dia no âmbito do Programa de Emergência Alimentar. Ou seja, mais 12 mil do que no início de 2013. Contas globais, a Segurança Social dá verbas para apoio alimentar a mais 33 por cento de famílias, em relação ao final de 2012.

 

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