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Assistimos diariamente à degradação dos cuidados de saúde disponibilizados às populações num claro atentado ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), deixando os Utentes à mercê dos seus problemas e promovendo o acesso aos cuidados de saúde privados. Dramaticamente, a grande maioria dos cidadãos e cidadãs, nomeadamente os grupos mais vulneráveis e necessitados, não possui recursos para o acesso a esses mesmos cuidados e, ironicamente, promove-se com a falta de políticas e estratégias que defendam o SNS menos qualidade de vida e mais mortandade para as Populações.

Seguimos apreensivos e preocupados ao que acontece no nosso Concelho de Almada e que enferma todo o País, com os débeis serviços prestados nos Hospitais, nas USF, nas US e nos restantes serviços que prestam cuidados de saúde que se debatem com a falta de recursos técnicos, financeiros e humanos que permitam dar respostas adequadas às necessidades dos cidadãos e das cidadãs.

Se por um lado se retiram direitos aos utentes e se negligencia a prestação de cuidados de saúde, exige-se aos profissionais de saúde que trabalhem em condições desumanas e que coloquem todo o seu saber, experiência e seriedade na gestão do impossível.

Tomámos conhecimento, através da imprensa nacional e local, que os sete chefes da equipa do serviço de urgência do Hospital Garcia de Orta se demitiram e que a equipa de médicos justificou a demissão, pedida em bloco esta segunda-feira, com a degradação das condições de trabalho e também a excessiva lotação de doentes internados.

Relembramos que esta realidade foi particularmente questionada em Julho do ano passado por 42 diretores de serviço do Hospital Garcia de Orta que denunciaram o adiamento de consultas, exames e de cirurgias por falta de profissionais, bem como a existência de equipamentos obsoletos.

Ainda ontem o Bastonário da Ordem dos Médicos expressou publicamente que os cortes cegos na saúde, a falta de financiamento e de recursos, quer técnicos quer humanos, conduziram o SNS ao limite e sua destruição de tal sorte que ele não mais existe como direito constitucionalmente garantido ou como se consagra na nossa Constituição da República.

Conscientes e apreensivos com a situação que se vive atualmente em todo o País, com reflexo no Concelho de Almada, não podemos continuar a assistir inertes ao desmantelamento do Estado Social, acção directa da governação da Direita.

Devemos apelar à consciência colectiva, denunciando publicamente a situação de degradação dos cuidados de saúde no Concelho, manifestando a nossa solidariedade com os profissionais de saúde, que com esforço e bravura alertam para o risco que correm quer os profissionais quer utentes com a actual situação, responsabilizando o Governo PSD/CDS por, com a obsessão de acabar com o Serviço Nacional de Saúde, estar a colocar em causa o princípio constitucional de garantia de acesso aos cuidados de saúde.

 

Francisca Parreira, Presidente da Concelhia de Almada do Partido Socialista

 

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