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Um dos objectivos principais do projecto do Metro Sul do Tejo (MST) era a instalação nos concelhos de Almada, Seixal, Barreiro e Moita, de uma rede de Metropolitano moderna eficiente e atractiva.

Relembre-se que o Seixal e o Barreiro estão separados por escassas centenas de metros e esta ligação podia assegurar-se com a implementação do MST através de uma ponte sobre o estuário do Tejo que encurtaria de modo muito significativo a distância que ultrapassa os 15Km, contribuindo e muito para a redução do trânsito automóvel. Os mais antigos recordam-se certamente de uma ligação ferroviária que unia os dois concelhos, destruída acidentalmente e nunca reconstruída.

O MST foi inaugurado em Almada decorria o ano de 2008. A 18 de Abril de 2015 terão passado 20 anos sobre o primeiro protocolo entre o Governo e as Autarquias para a sua implementação, que previa o traçado actual, mas muito maior extensão de linhas; de realçar que na sua 1ª fase o MST devia chegar ao Barreiro e à Costa da Caparica.

Era um projecto estruturante para as acessibilidades das populações de Almada, Seixal, Barreiro e Moita. É notório que muitas intenções não passaram do papel e hoje o MST funciona em Almada e no Seixal de forma manifestamente insuficiente e não constitui alternativa para os utentes em muitos troços destes Concelhos. Em Almada longe de atingir o máximo do seu potencial não chega ao Hospital Garcia de Orta, não faz a ligação à Trafaria e o MST na Costa da Caparica e Charneca de Caparica é uma perfeita miragem. No concelho do Seixal, fica-se apenas por Corroios!

Se falamos de um transporte amigo do ambiente, não podemos ficar pelo centro de Almada e esquecer os outros concelhos.

O MST está incompleto com uma oferta muito reduzida em relação às necessidades das populações, não restando outra alternativa que não seja o uso de viatura própria ou a utilização dos autocarros que, para além da redução de carreiras, continuam a representar um meio de transporte poluente, com muito tempo perdido em filas de trânsito intermináveis, um problema para o meio ambiente e saúde pública do qual não nos podemos alhear.

Se um dos objectivos principais do projecto do MST era a instalação nos Concelhos de Almada, Seixal, Barreiro e Moita, de uma rede de Metropolitano moderna eficiente e atractiva, então enquanto este objectivo não for atingido o MST estará incompleto e parece-me uma luta e uma exigência sempre actual que pode contribuir para a melhoria das condições de vida das populações, um meio de transporte de massas rápido e não poluente que pratique modalidade de passe efectivamente social (passe intermodal) que tenha em conta os rendimentos e os agregados familiares.

Uma sociedade mais justa passa pelo acesso universal aos meios de transporte e a todo o espaço urbano e numa altura de enorme carência económica com reflexos em muitos sectores da nossa população este assunto reveste-se da maior importância. Pensar a mobilidade urbana é pensar como se tem acesso à cidade e aos bens que a cidade oferece e qual a melhor forma de garantir esse direito às pessoas.

 

Luís Filipe Pereira

Membro da Coordenadora Concelhia do Bloco de Esquerda de Almada e da Comissão Alargada da CPCJ de Almada. Ex-deputado Municipal pelo Bloco de Esquerda.

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