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Sérgio Godinho e Jorge Palma deram mais alma a um Sol da Caparica que atravessa todas as idades

O Sol da Caparica continua enquanto houver ventos e mar

19 Agosto, 2016 • Humberto Lameiras • Cultura, Destaque, Lazer

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O Sol da Caparica quando anunciado há três anos atrás como um festival de Verão com cartaz dedicado exclusivamente a cantores lusófonos, pareceu estranho e de futuro complicado. Mais ainda, quando a organização decidiu que o último dia seria direcionado para crianças e pais; parecia algo mais ao jeito de típica festa popular. Pois é, inovar por vezes é estranho, mas quando existe qualidade, entranha-se.

Ana Moura mostrou que o fado para além de cantado e falado, também se pode dançar

Ana Moura mostrou que o fado para além de cantado e falado, também se pode dançar

Nesta terceira edição, O Sol da Caparica recebeu no Parque Urbano da Costa da Caparica 65 mil pessoas que, mesmo neste super-verão-de-praia, não resistiram aos ritmos que evoluíram nos três palcos do festival. Entre o muito, e de bom, que os 33 artistas deram nas suas atuações, Ana Moura foi inesquecível; se o fado se canta e fala, agora sabemos que também se pode dançar.

São coisas, inesperadas, que aconteceram num festival como O Sol da Caparica com onze horas de música, por dia, e acabou no domingo com o Parque Urbano cheio de crianças a dançar, experimentar instrumentos musicais e a ouvirem canções tradicionais pelas vozes de Sérgio Godinho, Vitorino, Ana Bacalhau e Samuel Úria.

Era a segunda vez que Sérgio Godinho subia ao palco principal do festival. Antes fez dupla com Jorge Palma, dois “monstros sagrados” da música portuguesa que trouxeram letras que têm mais anos que muitos daqueles que com eles vibraram e cantaram no O Sol da Caparica. Mostraram, verdadeiramente, que “enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar”.

Rui Veloso, simplesmente ele próprio acompanhado pelo público a cada letra sem idade

Rui Veloso, simplesmente ele próprio acompanhado pelo público a cada letra sem idade

Rui Veloso, outra boa surpresa, fechou o terceiro dia do festival em grande. Mais uma vez ouviram-se músicas que ultrapassam as portas do tempo e puseram uma multidão sem idade a cantar letras como “A Paixão”, “Não há Estrelas no Céu”, ou “Chico Fininho”. E, inesperadamente, foi acompanhado em palco por Miguel Araújo e António Zambujo, que antes tinham estado em palco no concerto dos Azeitonas.

“Foi uma surpresa. Não estava preparado que acontecesse”, diz António Miguel Guimarães, responsável pela programação deste festival promovido pela Câmara de Almada. “Este é um festival que mostra o melhor que se faz na música lusófona”, acrescenta. E para o ano o segmento musical deverá ir na mesma onda. O festival terminou no passado domingo mas a organização já tem um esboço para a próxima edição. “Para o ano prevemos mais uma grande festa, já pensei em alguns artistas e vamos estar atentos aos trabalhos que entretanto forem apresentados”.

No Parque Urbano da Costa da Caparica ouviram-se ainda as vozes de Os Deolinda – que arriscaram, e ganharam em público abrir o festival. Nuno Guerreiro (Ala dos Namorados) mostrou-se imparável; C4 Pedro levou a um ritmo irresistível; David Fonseca deu tudo em palco e entre o público assim como Diogo Piçarra; Nelson Freitas era esperado por muitos e levou balanço a novos e menos novos; descalça, Aurea, saltou e fez vibrar o público. E foi assim com todos os outros que atuaram nos dois palcos de concertos.

Sónia Tavares num concerto que revelou uns Gift que o tempo tocou para serem ainda mais fantásticos

Sónia Tavares num concerto que revelou uns Gift que o tempo tocou para serem ainda mais fantásticos

Entre os inesquecíveis desta terceira edição do festival estão os The Gift, com Sónia Tavares numa atuação imparável de voz grave inconfundível, gotas de suor a escorrerem pelo rosto e pulmão enorme a percorrer tudo o que era palco. E, quando parecia ter terminado o concerto, as luzes desceram sobre o público para focarem Sónia que se ergueu num pequeno palco a cantar a versão de “Gaivota” construída pelos “Amália Hoje”.

Para além da música cantada, o festival foi ainda uma festa para a dança, desportos radicais, mostra de filmes e arte urbana. Relevo começa a ganhar a leitura; O Sol da Caparica editou este ano a segunda edição do projeto “Debaixo da Língua”, um ciclo de entrevistas feitas por Rui Miguel Abreu a cantores e letristas. Um trabalho de leitura obrigatória para conhecer onde começou e como evoluiu a música portuguesa nos últimos quarenta anos.

Para o ano há mais festival

Joaquim Judas Sol da Caparica

O presidente da Câmara de Almada, Joaquim Judas, promete que para o ano O Sol da Caparica está de volta

“Esta é a festa da cultura portuguesa. Estamos na Costa da Caparica e o festival o Sol da Caparica é para continuar”, prometia ao público o presidente da Câmara de Almada. Joaquim Judas garantiu que em 2017, em agosto, “cá estaremos”.

 

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