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PCP projeta Museu da Indústria Naval para Almada

23 Maio, 2014 • Humberto Lameiras • Destaque, Política

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Almada pode vir a receber a sede do futuro Museu Nacional da Indústria Naval. O Projeto de Lei foi apresentado pelo grupo parlamentar do PCP na Assembleia da República, na passada semana, e já baixou à Comissão de Educação, Ciência e Cultura. O documento está aberto a vários contributos, havendo a possibilidade de serem criados “vários polos museológicos ao longo da frente ribeirinha do Tejo, onde a indústria naval teve forte expressão”, avança o deputado comunista Bruno Dias.

“A ideia de criar um museu que não funcione apenas num só edifício é bastante interessante”, comenta o deputado, que aproveitou as comemorações do Dia Internacional dos Museus, no passado domingo, para apresentar publicamente este Projeto de Lei, na Casa do Pessoal do Arsenal do Alfeite, Laranjeiro, Almada.

Aliás, a ideia de fazer deste museu um espaço polinucleado começou a tomar forma precisamente neste encontro, onde estiveram vários ex-trabalhadores de empresas ligadas à indústria naval – caso do presidente da Assembleia Municipal de Almada, José Manuel Maia, que trabalhou na Lisnave –, e técnicos da área de arqueologia.

“Um museu é um espaço de testemunho da história e quanto mais alargado [polinucleado] melhor cumpre a sua missão”, comenta Bruno Dias. E adianta: “Teremos muito gosto em obter contributos para uma melhor solução”. Isto desde que “o projeto não seja desvirtuado”. Mais ainda quando “é muito raro haver Leis que reflitam propostas do PCP”. 

E no caso concreto desta proposta, esclarece o deputado da república, “teve contributos de muitos ex-trabalhadores da indústria naval, ligados ao PCP, e historiadores”. Foi “um trabalho de fundo”, a ponto do preambulo do Projeto de Lei n.º 606/XII (3.ª) ser, por si mesmo, um resumo alargado deste setor económico na margem sul, que empregou milhares de pessoas.

“A concentração industrial que integrava no concelho de Almada a Lisnave, o Arsenal do Alfeite, a Sociedade de Reparação de Navios, a Companhia Portuguesa de Pesca, o H. Parry & Son e a Sociedade Nacional dos Armadores de Bacalhau, empregava cerca de 15 mil trabalhadores na década de 1970, tendo diminuído o seu peso com o encerramento sucessivo destas empresas, consequência de uma orientação política que destruiu o setor produtivo do País, tornando-o dependente do estrangeiro”, lê-se no Projeto de Lei.

Uma crise que levou ao encerramento de todas estas unidades, restando apenas o Arsenal do Alfeite que, mesmo considerado estratégico ao serviço da Armada, “sofreu uma redução de 1160 trabalhadores para 600”.

Segundo o Projeto de Lei do PCP, o Museu Nacional da Indústria Naval contempla edifícios e equipamentos, para além de cedência de coleções. Quanto a verbas, estas devem ser “inscritas no Orçamento de Estado”, sendo ainda considerada a possibilidade de “subsídios, donativos ou legados de entidades públicas ou privadas”.

Foto: DR

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