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Há poucos anos era fácil os jovens almadenses com uma banda saberem onde podiam tocar e ganhar uma experiência, por vezes única, ou jogar ping-pong, expor as fotografias que tinham tirado, participar ou organizar um workshop ou, pura e simplesmente, ir para um sítio relaxado falar com amigos fora da sua escola.

Na verdade Almada peca por não ter um ponto de encontro para jovens, de várias idades, de várias escolas, de várias actividades, onde possam de facto fazer actividades, organizarem-se, conviver, ter acesso a ferramentas que lhes permitam criar coisas ou desenvolver projectos e até ter acesso a formação menos convencional do que a dada nas escolas.

Quer dizer, ter, têm, e até se chama Ponto de Encontro, tem uma das melhores vistas possíveis para Lisboa e está a 5 minutos da melhor oferta de transportes públicos do concelho, mas está fechado. Aliás, tem pessoas lá dentro a trabalhar, do outro lado de uma porta de vidro fechada, a avaliar as propostas formais sobre o que se pode dar à juventude. Relembremos o café, há tanto tempo por concessionar, os dois pisos de espaço imenso e até equipamento como projectores e afins. E nem sequer é o único espaço pensado para jovens, que se encontra fechado, existe outro no Centro Comercial M. Bica, esse completamente encerrado há vários anos.

Na prática os jovens em Almada não tem nenhum espaço onde possam fazer um trabalho de grupo, não é certamente numa biblioteca onde mal abram a boca são mandados calar. Não têm nenhum espaço onde numa tarde de sábado chuvosa possam ir conviver com uns amigos, mesmo que não tenham dinheiro para ir para um café. Não têm um lugar onde possam pegar em instrumentos e tentar fazer uma banda sem que os vizinhos os chateiem. Não têm um espaço onde possam combinar com os amigos ir ver um filme que não está no cinema.

Aquilo que eles têm é um lugar espectacular, mas fechado, com pessoas lá dentro, à espera que alguém queira marcar coisas para jovens, para eles depois avaliarem. Mas não um espaço onde possam ter autonomia, liberdade e ferramentas, e este é mais um espaço camarário completamente mal aproveitado a denunciar uma política para jovens extremamente deficitária, e de edifícios municipais, alguns munidos de equipamento e funcionários mas mesmo assim relegados praticamente ao abandono. Enquanto o café podia muito bem ser mais um emprego jovem criado no concelho, especialmente se concessionado por baixos valores ou valores que estivessem dependentes dos lucros obtidos, ou em último caso até mesmo em contracto de comodato.

É altura de Almada ter uma política para jovens, especialmente uma em que os jovens tenham uma palavra a dizer sobre o que é uma política para jovens.

 

Pedro Celestino

Membro do Núcleo do Bloco de Esquerda de Almada

 

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