MENU
Share Button

A redução da jornada de trabalho para oito horas diárias foi a razão da manifestação dos trabalhadores nas ruas de Chicago, nos Estados Unidos, no 1º de Maio de 1886.

Durante o período da ditadura fascista, em Portugal, sempre foi comemorado o 1º de Maio, de forma clandestina quase sempre, pois a polícia política em muitas aldeias e cidades do país aumentava a vigilância, as perseguições e não poucas vezes a prisão de muitos militantes antifascistas, sindicalistas e democratas; a comemoração sempre esteve presente como símbolo da resistência e da luta mais geral contra a miséria e a fome e por direitos fundamentais que só vieram a ser consagrados depois do 25 de Abril de 1974 na Constituição da República Portuguesa promulgada em 1975.

O 1º de Maio de 1974 em Portugal constituiu uma jornada histórica da luta dos trabalhadores portugueses.

“Mantém-se em Portugal a necessidade de juntar forças e cerrar fileiras pela defesa do direito ao trabalho e da luta contra a precariedade.”

Foi uma data memorável em que centenas de milhares de portugueses encheram as ruas das cidades e vilas acreditando que seria possível alterar a situação em que tinham vivido anteriormente. A alegria espelhada nos rostos era a demonstração da esperança de que muito tinha que mudar. E assim aconteceu: o salário mínimo garantido, a consagração do horário de trabalho de 40 horas semanais, contratos coletivos de trabalho, acordos de empresa, direito a férias e subsídio de Natal, pagamento do trabalho suplementar/horas extraordinárias, direitos específicos para as mulheres, integração de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, foram apenas algumas das conquistas alcançadas por muitos milhares de trabalhadoras e trabalhadores.

Foi o tempo de valorizar as pessoas que tinham sido sempre esquecidas pelo regime ditatorial e fascista que reinou durante 48 anos. Foi o tempo dos direitos e não de esmolas ou assistencialismo. Fomos solidários e lutámos para que as pessoas que trabalhavam mas que nunca tinham tido direitos, passassem a ter.

Decorreram quatro décadas e entretanto os governos de várias cores políticas, uns mais sorrateiramente, outros mais descaradamente, foram lançando medidas de ataque aos direitos alcançados.

Tendo passado 124 anos após aquela data histórica da luta dos trabalhadores dos Estados Unidos, mantém-se em Portugal a necessidade de juntar forças e cerrar fileiras pela defesa do direito ao trabalho e da luta contra a precariedade.

O 1º de Maio de 2014 trará para as ruas das cidades e vilas do país, centenas de milhares de trabalhadores, desempregados, precários, reformados, pensionistas e estudantes irmanados na defesa das conquistas de Abril e de um presente e de um futuro com dignidade.

 

Pedro Oliveira
Membro da Coordenadora Concelhia de Almada do Bloco de Esquerda

Artigos Relacionados

Uma resposta a Razões para comemorar o 1º de Maio

Deixe uma resposta

« »