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Almada tem sido um concelho de oportunidades perdidas, sem qualquer proveito de uma geografia privilegiada – que proporciona rio, mar, praias, mata, paisagem, às portas da capital e a poucos quilómetros da serra.

Esta autarquia, na ânsia dos lucros do imobiliário, tem décadas de massificação urbana e suburbanização, destruindo a paisagem e o potencial turístico da região. A Costa da Caparica é mais uma das suas vítimas.

Nunca existiu, aliás, uma estratégia de turismo capaz de identificar o potencial de atracção do concelho. O principal instrumento de planeamento – o Plano Director Municipal – parecia até mostrar uma estranha obsessão da ex-presidente Maria Emília pelos patos-bravos. Na Costa da Caparica, contava com uma Junta de Freguesia servil e inútil. Tanto quanto é dado perceber, não se conhece do presidente Judas qualquer ideia sobre o assunto, num momento em que talvez ainda ande a compreender os limites geográficos do município e as relações com o aparelho partidário…

Ah! Mas para encher a boca com o ambiente, a Câmara sustenta um bacoco fundo climático e organiza folclóricos encontros sobre alterações climáticas, ao mesmo tempo que negligencia o património, a paisagem e os solos protegidos e agrícolas. Porventura a cartilha comunista não entente a gravidade da perda da memória das nossas gentes e de parte importante da nossa identidade.

O paradigma deste modelo esgotado está à vista no finado Programa Polis da Costa da Caparica. Nascido como um arrependimento público pelos erros do passado, cresceu ensombrado por erros elementares de planeamento, soluções técnicas incompetentes e descontrolo financeiro.

Grandes parques de estacionamento em cima das praias, a recompensa da ocupação e vandalização do espaço público e das negociatas de compra e arrendamento de barracas, estradas com faixas de rodagem de 6,5 metros e uma estrada prolongável até à praia, aumento da pressão imobiliária e viária sobre o litoral. Odespejo para cima da população da Charneca de 17 mil utentes de parques de campismo e de mais de 2500 lugares de estacionamento, a destruição de uma apreciável mancha florestal dentro de uma zona protegida de «importante valor natural», falta de estudos de ruído e pressão sobre áreas naturais e residentes, o saque definitivo às Terras da Costa, entregando zonas de uso agrícola à construção e ao asfalto, eram alguns exemplos do conceito de «naturalidade» e «contemporaneidade» deste Polis.

O CDS manteve sempre uma oposição firme e coerente na Assembleia Municipal aos seus planos de pormenor. E propôs, em alternativa, um planeamento global que não convertesse o litoral do concelho em mais um foco de pressão imobiliária e viária e tivesse em conta os interesses da população residente e de um futuro sustentável de grande qualidade que se pode assegurar à costa de Caparica.

A estratégia de desenvolvimento e regeneração urbana para a Costa da Caparica deve assentar na qualificação turística para todo o ano e de âmbitos diversificados: lazer, cultura, desporto, aventura, gastronomia, artes tradicionais, ecologia, ciência.

Isto exige uma defesa enérgica das áreas protegidas, a gestão integrada dos sistemas natural e edificado, a definição de uma malha de corredores verdes, a aposta na agricultura urbana e um nível elevado de protecção para a faixa litoral.

Ao mesmo tempo, é necessário investir na educação da população e fazer compreender às pessoas e aos negócios que a paisagem e o património natural são indispensáveis da vida da comunidade.

Uma proposta emblemática com que o CDS se comprometeu é a criação do Parque Natural da Costa Caparica, com extensão até à lagoa de Albufeira. Seria o motor de uma promoção turística de qualidade e um compromisso sério com o futuro, fazendo a gestão integrada dos diversos níveis de protecção que hoje existem.

Claro, esta proposta não agrada às negociatas do betão. Nas reacções a ela ver-se-ão os verdadeiros interesses dos que se julgam para sempre donos disto tudo.

 

Fernando Sousa da Pena 

Militante do CDS-PP e ex-candidato a presidente da CMA em 2013

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