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O património arquitectónico faz a ligação entre o passado e o presente e assim continuará para o futuro se soubermos preservar o património que ainda resiste embora com visíveis dificuldades.

Vem isto a propósito do Coreto do Jardim da Cova da Piedade. 

Se o Coreto falasse estaria sempre a pedir para que não o esquecessem, que não o deixassem morrer.

Este Coreto que se situa no centro do Jardim é um Coreto cuja cúpula é feita em ferro forjado, assente em pedra através dos seus oito pilares também eles em ferro forjado. Reza a história que o Coreto data do século XIX, tendo sido construído em homenagem à vitória das forças liberais sobre os absolutistas na batalha travada na Cova da Piedade em 23 de Julho de 1833. Com alguma dificuldade ainda se consegue ler numa placa existente no Coreto que: “Alguns moradores da Piedade e logares visinhos auxiliados pela Câmara Municipal este coreto mandaram reconstruir no anno de 1896″.

Estamos assim perante uma peça carregada de história que merece ser preservada”

Acontece que a Cova da Piedade terra de tradições operárias marcada por lutas e resistências, não pode esquecer o seu património, estou a recordar os antigos corticeiros que a seu tempo foi a classe profissional mais importante da Freguesia com um elevado número de trabalhadores e existência de fábricas de transformação da cortiça, com uma forte componente da produção destinada à exportação.

O Coreto foi várias vezes palco de intervenções dos trabalhadores mais destacados nas lutas e o espaço envolvente enchia-se de trabalhadores que afrontavam deste modo o poder instituído.

Já depois do 25 de Abril de 1974, o Coreto e o Jardim da Cova da Piedade foi o espaço eleito para o culminar ou para ponto de partida de lutas de cariz operária, assim como de manifestações Culturais.

Estamos assim perante uma peça carregada de história que merece ser preservada.

Sempre que observo o Coreto ou que lhe tiro fotografias, vem-me sempre à memória a expressão de que as árvores morrem de pé; é que tenho a arrepiante sensação de que o Coreto da minha terra estando de pé, está a morrer aos poucos. O que queria com este pequeno texto era convidar todas as mulheres e todos os homens a abraçarem o Coreto da Cova da Piedade e também sensibilizar quem está em melhores condições para concretizar o seu restauro.

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Uma resposta a Um abraço ao Coreto do Jardim da Cova da Piedade

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